Tolerância zero? Que nada!

2.2.07

Mais lenha na fogueira Hugo Chávez

Li hoje no jornal O Estados de S. Paulo a matéria "O perigo vem do Norte", escrita por João Mellão Neto.
Coloco aqui alguma partes grifadas por mim, para vias de informação, sobre o que ele escreveu.


O perigo vem do Norte

"Democracia, todos sabem, não é apenas a prevalência da vontade da maioria. Se assim fosse, a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler poderiam ser consideradas democráticas.


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A vontade popular não passa de uma muleta semântica de que se socorrem os ditadores populistas para justificar suas arbitrariedades. Nas democracias autênticas só é justo aquilo que é alcançado por meios justos. Levando em conta esses pressupostos, pode-se afirmar que a Venezuela de Hugo Chávez é uma nação democrática? Óbvio que não.

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Chávez está cada vez mais se transformando num ditador. A aprovação da Lei Habilitante, pela qual o Congresso venezuelano abre mão do seu poder legiferante e o outorga ao presidente - que passará a governar por decretos-leis -, cria, na prática, uma forma de ditadura à qual nem sequer o regime militar brasileiro ousou recorrer. Só há paralelo, em nossa história, com o Estado Novo, que Getúlio Vargas implantou a partir de 1937.

...

O cientista político, Sérgio Fausto, na quarta-feira, aqui, neste Espaço Aberto, levantou uma questão muito pertinente: o que ocorrerá com o Brasil se os chavistas tomarem o poder também no Paraguai? Itaipú é uma empresa metade paraguaia, lembram-se? E a quase totalidade de sua produção é consumida pelo Brasil. Essa energia é muito mais vital para o Brasil do que o gás boliviano.

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Lula ainda não se deu conta disso. As intenções de Chávez são claras e, na maior parte, hostis ao Brasil.

...

Chávez não tem nada a nos esninar. A não ser como se assassina uma democracia."

Fonte: O Estado de S. Paulo, edição de sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007.




Bom, como sabem, para um entendimento mais profundo sobre o fato, é necessário ler a matéria na íntegra.
No meu ponto de vista, e ainda defendendo minha opinião inicial, o governo de Hugo Chávez permanece transparente nas suas atitudes.
Claro que houve a não-renovação da RCTV, mas como disse antes, concordando com a opinião do Bruno, amigo meu, a emissora deve ter dado motivos suficientes para isto ocorrer.
Não entitulo o governo chavista como ditatorial. Suas medidas estão sendo colocadas à prova junto com a população. Todas obtiveram o apoio popular e inclusive do Congresso.
Mas, agora, preocupo-me com as próximas ações tomadas por Chávez. Foi-lhe dado um super-poder com a aprovação da Lei Habilitante. Concordo que, com este poder em mãos, o passo para uma ditadura torna-se muito menor.

Mas, por enquanto, na minha opinião, não é um governo ditatorial.

17 Comments:

  • João Mellão é um canalha. Já o li muito no Estadão e tenho um livreto dele, do qual não lembro o nome, mas que contém verbertes alfabeticamente ordenados.
    Os comentários sofísicos deste protofascista me lembra os que estampavam os jornais brasileiros quando a imprensa, a elite e os militares (nesta ordem) impuseram a ditadura. Todos comemoravam a "revolução" em "defesa da democracia". Como diria o outro, democracia de cu é rola.

    By Blogger Elton, at 12:19 AM  

  • Há poucos dias li no excelente blog do Eduardo Guimarães, o Cidadania.com, algumas notas da imprensa Venezuelana contra o Chavez (ditadura com liberdade de imprensa?, só na cabeça dos paga-paus da burguesia).

    Pois bem, enquanto os senhores deste feudo chamado "Imprensa brasileira", vivem a publicar que o Chavez passa a perna no Brasil, etc. A imprensa golpista de lá (como a nossa em 64,... e hoje, não é Jabor e Mainardi?) diz que os Chavez fica jogando o dinheiro dos Venezuelandos no Brasil (por conta de uma refinaria que a PDVSA está construindo em Pernambuco). Incoerentes no relato factual, "coerentes" no medo da justiça social e do povo. Imaginem a imprensa brasileira se o Lula construisse uma usina na Venezuela!!! Viva a REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA do POVO venezuelano.

    By Blogger Elton, at 12:32 AM  

  • Fale Elton.

    Bom, eu não li muito os textos de João Mellão Neto, mas os poucos que li o peguei falando besteira.

    Como disse, não julgo o governo chavista ditatorial simplesmente pela transparência que ele vem mostrando.

    Agora João Mellão tacou o pau. A única coisa que concordei foi o fato que que agora Chávez tem super poderes com a Lei Habilitante.
    Mas até ai, afirmar que já é uma ditadura (que foi o intuito da matéria dele, na minha opinião) é besteira.

    Abraços caro amigo.

    By Blogger Pérsio, at 9:33 AM  

  • Não sei se o caro Elton concederá a mim o título de "paga-pau da burguesia" em vista do que eu disse em minhas discussões com o Bruno no post "Notas rápidas [30/1/07]". Fico também com a impressão de que ele não leu essa discussão, e portanto pegou o bonde andando. Mas não o culpo por isso, é claro, visto que ele não tem a mínima obrigação de saber que este post é, na verdade, a continuação de um debate anterior. De qualquer forma, vou continuar aquela discussão aqui, em vez de fazer o décimo terceiro comentário naquele post. Mas não sem antes dizer duas poucas coisas.

    Quanto ao João Mellão, não sei muito sobre ele, e portanto só tenho a lamentar que seus argumentos tenham sido solenemente ignorados pelo Elton, que aparentemente considera o emprego de adjetivos como um meio válido de argumentação. Mas num ponto estou de acordo com este último: essa idéia de que o Chavez oferece algum perigo para o governo Lula é muito ingênua. Os dois são amiguinhos demais, e precisam um do outro.

    Quanto ao Pérsio, devo manifestar meu desgosto por essa frase dele: "como disse antes, concordando com a opinião do Bruno, amigo meu, a emissora deve ter dado motivos suficientes para isto ocorrer". Esse "deve ter dado" revela algo inusitado: é uma confissão explícita de ignorância sobre o assunto em pauta e, ao mesmo, uma manifestação de opinião confessadamente infundada sobre o mesmo. O Bruno, aliás, fez algo parecido, embora de maneira mais sutil, com esta frase: "Não conheço em detalhes como é o jornalismo da RCTV, mas considero que podem ter dado motivos suficientes para que a renovação fosse negada". Que me perdoem os meus amigos pela crítica, mas esse é um exemplo perfeito de uma atitude a ser evitada num debate intelectual sério.

    Agora vamos à continuação:

    1. Não tenho a mínima intenção de sair na porrada com o Bruno. :) Um dos motivos é que ele é consideravelmente maior (e presumivelmente mais forte) que eu. hehehe O outro é que, ainda que eu consiga dar-lhe um belo armlock, e só soltar seu braço após obter dele a admissão de que o Chavez é ditador, não sairei deste "debate" com a sensação de tê-lo vencido sem o recurso à força política. É contra esse método de discussão, aliás, que eu me posicionei neste debate desde o início.

    2. Fiquei surpreso e feliz com o aparecimento do meu amigo André Luiz na discussão. Pra quem não sabe, ele é o amigo historiador que mencionei no único post que já fiz neste blog (e no qual, aliás, acabo de comentar). O único problema de tê-lo por aqui é que sobra pouco pra eu dizer, visto que concordo com ele em muitas coisas. hehehe

    3. Percebi que há um desacordo quanto aos fatos ocorridos na imprensa americana e sua relação com o governo em virtude dos atentados e da guerra no Afeganistão. A fim de apurar essa questão, acho que deveríamos debater melhor o assunto e analisar as evidências em favor de cada alegação. Mas, visto que essa questão foge ao tema principal deste debate, proponho realizá-la num post futuro que pretendo fazer em breve.

    4. Ninguém até agora apresentou um único exemplo de fraude cometida pela RCTV contra Chavez. Não creio necessariamente na inexistência de tal coisa, e não vou sair dando a minha opinião sobre um assunto acerca do qual nunca pesquisei nada. Mas o fato é que há duas ou três pessoas aqui (Pérsio, Bruno e, possivelmente, Elton) que defendem que a decisão de Chavez de fechar a RCTV foi justa; portanto, devem ter conhecimento de miríades de mentiras proferidas nessa emissora. Peço, portanto, que as apresentem. Isso é justo e, de qualquer forma, a única maneira de sairmos do "acho que sim" e do "acho que não".

    5. O André Luiz apresentou em seu comentário uma porção de fatos que eu desconhecia, e dos quais eu gostaria de saber mais: que Chavez aprovou recentemente uma lei que proíbe falar mal dele; que a Venezuela possui um elevado índice de assassinato de jornalistas; que, assim como Chavez, Hitler também se utilizou de meios inteiramente legais para atingir o poder absoluto, o que tornaria ilegítimo utilizar critérios diferentes para julgar, em cada caso, se se trata ou não de uma ditadura. Não sei se as fontes utilizadas pelo André Luiz são confiáveis ou não, e peço-lhe que se manifeste a respeito. Mas o fato é que ele já saiu na frente de seus opositores (o trio acima mencionado) pelo menos por ter feito acusações diretas e específicas, que só podem ser refutadas por meio do exame da idoneidade das fontes.

    6. O Bruno afirmou, muito acertadamente, que "o sistema judiciário pode ser corrompido por quem tem dinheiro". Todos sabemos que pode e, em alguns ou muitos casos, é mesmo. Mas não penso que isso justifique uma iinterferência governamental. Tomemos como exemplo, mais uma vez, o caso da Venezuela. A tentativa de justificar a atitude de Chavez baseia-se no pressuposto implícito de que ele é apenas um governante bonzinho interessado em evitar as injustiças do sistema judiciário. Mas suponhamos, apenas para fins de argumentação, que esse não seja o caso, mas que ele seja só mais um sujeito querendo ser ditador em proveito próprio ou de alguma outra causa que não seja o bem-estar do povo. Essa possibilidade parece inconcebível a alguns, mas nem por isso temos o direito de descartá-la. E se for verdadeira, de que maneira será possível evitar a injustiça? No regime democrático de antes, havia a possibilidade de alguns sujeitos ricos e politicamente poderosos manipularem o judiciário. No novo regime, a mera possibilidade se converterá automaticamente em fato consumado, já que um mesmo homem é tanto o mais poderoso político quanto o mais rico do país, visto que é o dono do Estado. Alguém tem dificuldade em perceber isso? Alguém acha que isso é melhor do que a situação anterior? Se sim, só pode ser por considerar a boa intenção de Chavez inatacável. Mas, permitam-me perguntar, com base em quê?

    Abraços a todos!

    By Blogger André, at 10:53 PM  

  • Olá caro André.

    Fiquei completamente interessado no debate que esta postagem possa produzir.

    Você exigiu explicações de n pessoas. Concordo plenamente com você quando pede argumentos que comprovem o que dissemos e para que não fiquemos mais no "acho que sim" ou no "acho que não".

    Estarei postando a resposta em breve (visto que hoje é domingo e eu ainda não jantei, hehehe). Amanhã provavelmente colocarei o meu comentário-resposta ao seu comentário.

    Abraços grande amigo.

    Abraços

    By Blogger Pérsio, at 8:56 PM  

  • Não houve pressão jurídica do governo norte americano sobre a imprensa no pós 11 de setembro.

    Não houve pressão jurídica, que seria transparente, mas um acordo entre governo e barões da mídia. Recomendo o livro "Deus é inocente, a imprensa não" recheado de exemplos, fatos que foram ignorados ou distorcidos pela imprensa estadosunidense. Esta que é a fonte de informação de jornais no Brasil e no mundo, ou seja, manipularam de uma só vez a imprensa mundial.

    Jornais de cidadezinhas não são capazes de enviar correspondentes internacionais ou mesmo nacionais. Servem para noticiar fatos de interesse local que não são relevantes para grandes jornais. Notícias nacionais ou internacionais são replicadas de alguns poucos grandes jornais. A multiplicidade não é tão multipla assim.

    A Globo não apenas se posicionou ao lado de Collor. Manipulou informações. Como exemplo mais gritante cito a edição do debate exibida pelo jornal nacional. Recomendo também o documentário "Brazil: Beyond Citizen Kane" da BBC. Este teve sua exibição proibida no país, graças a uma ação movida pelos advogados do Roberto Marinho. Veja que maravilha é o nosso sistema judiciário, como funciona bem defendendo a liberdade da imprensa, como colabora com a divulgação de informações.

    Meios de comunicação servem para formar idéias. Embasados por notícias de qualidade podemos optar por um lado, outro ou algo intermediário. Quando uma opinião política é divulgada como noticia a imprensa interfere na formação de opinião, interferindo na liberdade de cada individuo. O estado deve garantir que esta liberdade não seja afetada.

    Um órgão da mídia pode ter uma opinião política, desde que declarada abertamente e restrita aos editoriais.

    Caro André, podes desgostar do argumento, mas em termos de conteúdo da RCTV somos todos ignorantes. Ou alguém vem assistindo este canal com frequência nos últimos anos? Novamente, li que se assemelha a uma Rede Globo. Tentarei fazer um paralelo.

    No Brasil, todas as concessões foram dadas por um mesmo governo aos seus correligionários. Donos de concessões tem portanto a mesma visão política. Ao surgir a possibilidade de um sindicalista barbudo virar presidente, alguém com uma visão política diferente, este grupo mente e manipula a população. Atitudes anti-democraticas, pois não se trata de uma imprensa realmente livre.

    Na Venezuela, temos o mesmo problema das concessões na mão de um grupo com visão política igual. Surge Chavez, com visão diferente. Os meios de comunicação não apenas noticiam, mas participam ativamente de um golpe, manipulando e distorcendo fatos.

    Concessões foram dadas por um governo, normalmente a seus aliados. Por que outro governo não pode revoga-las? O correto seria que estas fossem distribuidas para grupos com posições diversas. Chavez pode gerar este equilibrio redistribuindo a concessão não renovada.

    Fatos concretos e devidamente comprovados não tenho. Porém foi vc quem levantou a não renovação como falta de transparência do governo Chavez, que utilizou de meios previstos na constituição para tal ato. Podes provar a imparcialidade da RCTV ou benefícios que esta trazia a população venezuelana? E onde se encontra a falta de transparência em uma medida amplamente divulgada e amparada pela legislação do país? Ainda existem outros veículos de mídia venezuelanos e portanto temos a possibilidade do contraditório.

    Volto a dizer que a medida também não impede que a central de jornalismo da RCTV seja mantida para prover informações para outros canais.

    A Lei Habilitante da poder de legislar a Chavez, porém o congresso já é totalmente favorável a ele. Sinceramente não sei qual o intuito desta lei, uma vez que com maioria esmagadora qualquer lei seria automaticamente aprovada.

    Anti-democratico foi o boicote da oposição nas eleições legislativas. Negaram ao povo venezuelano contrario a Chavez o direito de representatividade.

    Portanto André, não vejo diferença antes e depois da lei. E "O Eu", nenhum país é o mesmo depois de 18 anos, a não ser que o governo não faça nada. Mas os atos só podem ser julgados depois de executados. O governo venezuelano ainda não é uma ditadura.

    Sabemos que os governos de Hitler e Mussolini foram ditatoriais apenas após a implantação de uma ditadura. Não era possível garantir isto a principio e seria errado julga-los naquele momento. Só por que o ínicio é semelhante não quer dizer que o final seja o mesmo.

    A alternância de poder é um dos principios básicos da democracia, sendo assim também não é possível dizer que havia democracia na Venezuela antes de Hugo Chavez assumir, primeira alternancia real ocorrida no país.

    E por que ninguém falou em ditadura ou atos anti-democraticos quando FHC comprou sua reeleição? Quem garante não teria comprado outras se tivesse apoio popular?

    By Blogger gnorante, at 4:26 PM  

  • Olá



    gnorante


    O acordo entre o governo norte americano e os "barões da mídia" nao ocorreu, pelo menos não da maneira com vc parece querer denunciá-lo, caro.

    E quem são os "barões da mídia"? Os EUA só possuem três ou quatro jornais considerados "nacionais". Todos os outros possuem base estadual ou regional, o que já impede um "complô da grande imprensa". Um jornal como o New York Times, por exemplo, não chega a vender dois milhões de exemplares no domingo, em um país que possui trezentos milhões de habitantes.

    As agências de notícias internacionais não são monopólio norte americano. Há, dentre outras, a AFP (Agence France Press), a AAA(Australian Associated Press), Agência Internacional (que é Européia), a Reuters (que é inglesa), além das norte americanas United Press International, Bloomberg e Associated Press. Todas elas mantém escritórios nas principais cidades ao longo do mundo, e inclusive em várias e várias cidades norte americanas, trabalhando em regime de concorrência. O que um "acordão" poderia fazer nesta situação? Qual a viabilidade do mesmo? Qual sua potencial eficiência?

    A existência de uma multiplicidade tremenda de veículos significa que cada pessoa pode, diante dos mesmos fatos, interpretá-los como quiser, lançando sua visão no mercado e tentando influenciar os seus concidadãos: e é nesta capacidade de interpretação variada que se baseia, principalmente, o que chamamos de liberdade de expressão.

    Este panorama só pode ser mantido em uma situação na qual o governo não interfira diretamente na imprensa. E, portanto, a existência de uma rede sem fim de mídias em cada cidadezinha norte americana é sim uma demonstração de vigor da liberdade de expressão, que inviabiliza que um governo possa impor sua visão política sem enfrentar contestação interna.

    A maior demonstração contra o livro do Carlos Dorneles, citado por vc, é que a maior parte da mídia internacional foi contra a invasão do Iraque. Passeatas e mais passeatas ocorreram na Europa criticando a ação norte americana, todas elas noticiadas ferozmente ao redor do mundo. McDonald's foram boicotados e até depredados ao redor do planeta, e estas imagens chegavam tranquilamente à minha casa, inclusive pela Rede Globo (em um tempo no qual eu ainda assistia TV). Não houve mudança de governo nos EUA, mas há pelos menos dois anos que há um núcleo forte da midia norte americana contra a guerra do Iraque. Onde o acordo com os "barões da mídia"?

    Mas veja que você concordou que, nos EUA, não há mecanismos jurídicos para pressionar a imprensa. Vou voltar a este assunto mais lá pra frente no caso Chávez.

    Antes vou me ater aos seus comentários sobre a Rede Globo. A Globo se posicionou a favor de Collor, inclusive editando o debate. Mas a edição só pode mesmo ter influenciado quem viu o Jornal Nacional um dia depois sem antes o ter acompanhado ao vivo pela própria emissora. A edição foi notada,também, na hora, e denunciada no dia seguinte. Eu, por exemplo, vi o debate, não vi o JN, e soube da manipulação logo depois pelos comentários generalizados e pelas críticas que a própria Globo teve de rebater em seus jornais: nada disto ocorreria na existência de um monopólio da informação pelo governo.

    Conheço perfeitamente o documentário a que vc se refere, e não entendo o porque o considera isento, enquanto critica a Globo por não o ser. Trata-se realmente de uma peça de propaganda tremenda, na qual adversários políticos dos Marinho misturam fatos com mentiras, e interpretam tudo como se existisse uma ditadura da opinião no Brasil.

    De qualquer forma, eu nao afirmei que informações não podem ser manipuladas, que notícias não podem ser tendenciosas e que jornalistas são criaturas, diferentes de todos nós, neutras.

    Pelo contrário, é justamente pela existência destas possibilidades que o único regime que garante a liberdade de expressão é irrestrita concorrência entre estas mídias, livre de qualquer interferência política. Como disse o André Leonardo lá no início, se há possibilidade de manipulação (e ela nunca será anulada) quando existe uma situaçaõ de liberdade e concorrência; na ausência desta e sua substituição pela intervenção governamental, a manipulação e censura é fato consumado. Aqui temos, diretamente, uma posição política tentando impor sua visão sobre como os veículos de comunicação devem noticiar, o que eles devem noticiar, e por que motivos eles devem noticiar.

    A única maneira do Estado garantir que a liberdade e a credibilidade da informação não seja afetada é evitando que grupos de poder imponham suas ideologias às mídias. Como o Estado sempre está nas mãos de um grupo ideológico, torna-se necessário evitar que ele direcione os veículos de comunicação. Quanto menor a presença do governo, e quanto maior a concorrência, mais escolhas se apresentarão aos cidadãos, que darão livremente credibilidade aos veículos de sua preferência.

    Em uma situação de controle estatal, tudo o que teremos é o monopólio da visão do grupo ideologico no poder: e este monopólio é o caminho aberto para a perpetuação deste mesmo grupo, um dos instrumentos utilizados para isto.

    Além disto, é perfeitamente legítimo que um veículo de comunicações tenha sua preferência política, não apenas manifesta em editoriais, como também nas opiniões dos seus articulistas, e inclusive na interpretação das suas notícias. Uma vez que não se esconda ou que não se invente fatos, cada veiculo pode dar a eles a sua visão (tal como o faz a Carta Capital, a Agência Carta Maior etc., só para dar um exemplo na esquerda). Havendo multiplicidade de mídias divulgando e analisando os acontecimentos, isto não é problemático: garante multiplicidade de opiniões, garante a dialética, que não é nada mais do que estamos fazendo aqui. É justamente isto que Chávez quer destruir na Venezuela, e aqui me volto agora para ele.

    Pouco importa se a RCTV é ou não parecida com a Rede Globo. Seria Chávez quem teria de demonstrar, irrefutavelmente, por meio de ações legais, que ela não cumpre seus deveres de informação à população - e isto supondo que a Rede Globo não o faça, do que discordo veementemente.

    Seria Chávez quem teria de demonstrar, também pelos meios juridicos competentes, que não seria bom renovar a concessão da emissora.

    A mim, basta mostrar o autoritarismo com o qual o Executivo venezuelano vem agindo, bem como analisar a tendência que está por detrás dele.

    Chávez não provou o "crime" do qual acusou a emissora, apenas avisou que não iria permitir que ela continuasse suas transmissões, inclusive dizendo o motivo: "ela é contra a revolução bolivariana". Porque seria crime ser contra a revolução bolivariana? Chávez deu um golpe em 1994. Foi preso durante dois anos, e esteve nas manchetes durante todo este período, inclusive naqueles meios de comunicação que hoje lhe são oposição. Porque o duplo critério?

    Quanto aos outros veículos de mídia venezuelanos, aqueles que também podem ter concessão revogada por ordem presidencial sem apreciação judicial, ou cujos jornalistas podem ir preso por "falarem mal do presidente", todos eles estão contra a medida tomada por Chávez, exceto os estatais criados pelo governo nos últimos anos. Também estão contra todas as associações representativas de jornalistas e fiscalizadoras da liberdade de imprensa ao redor do planeta.

    A existência do contraditóro continua a existir hoje na Venezuela. Mas cada vez mais cerceada, ameaçada e reduzida.

    A própria falta de provas que vc diz ter contra a RCTV já torna a sua defesa do ato nebulosa. Uma medida desta só poderia ser tomada em caso gravíssimo, no qual a emissora efetivamente descumprisse as normas de concessão. E que normas são essas?

    O seu exemplo a respeito do Brasl demonstra a premissa errônea da qual vc está partindo para analisar a situação, caro. Diferente do que vc imagina, as atuais redes nacionais de tv ganharam suas concessões em governos de linhas políticas diferentes. Mas o que deve ser ressaltado aqui, é que as concessões de TV são concedidas mediante determinadas condições a serem cumpridas por quem as pede. Nenhuma destas condições é afinidade política com o partido que momentaneamente está no governo. Esta condição sim seria um escândalo, e é ela quem parece estar por detrás do raciocínio de Chávez: "meu partido é sinônimo de liberdade e anti imperialismo; quem é contra mim, portanto, é contrário a estes valores e deve ser combatido e criminalizado". Este é o grande "motivo" dado por Chávez para o fechamento da RCTV, e que esteve nos cernes das críticas que ele fez ao jornal "O Globo" quando esteve em nosso país.

    Se a lei venezuelana é como no Brasil, tudo o que a RCTV recebeu foi uma concessão para operar nacionalmente, com determinada percentagem de sua programação dedicada a programas com conteúdo jornalístico, outra tanto com conteúdo produzido nacionalmente, e seguindo as normas educativas destinadas a proteger certos horários de programas impróprios para menores.

    Não há nem pode haver cláusula dizendo que opinião política será veiculada pelos jornalitas da RCTV, até porque estes são contratados no mercado, ao longo do tempo, e possuem liberdade para expressar as opiniões que queiram. Todo um quadro de jornalista de determinado veículo pode ser trocado pelo dono da emissora sem que isto em nada implique em relação à sua concessão.

    Resumindo: entre as condições para a manutenção de uma concessão não está o conteúdo político da mesma. E se algum jornalista e/ou editor esconder ou falsificar fontes e informações, deve ser punido na justiça, nada mais do que isto. Esta solução só pode incomodar, até onde entendo, quem queira não uma mídia independente, mas uma mídia instrumentalizada.

    De modo que só concordo, na sua postagem, com esta sua consideração: O correto seria que estas fossem distribuidas para grupos com posições diversas.

    Exato, caro: não retirar a voz de adversários políticos, mas aumentar a concorrência por meio de uma diversificação de opiniões na própria mídia. Deixar que estas concorram e que o público dê o seu julgamento. Abusos, como nos USA e na Europa, devem ser provados e punidos na Justiça. É tudo o que Chávez não está fazendo.

    Para lhe dar um exemplo, Fgueiredo, ao começar a se desagradar com o noticiário da Rede Globo de TV, deu uma nova concessao para o Sílvio Santos, e este criou o SBT. Até mesmo Figueiredo, neste caso específico, teve uma conduta mais correta durante a fase final da ditadura militar do que Chávez está tendo agora.

    Não é necessário redistribuir a concessão não renovada. Isto não é equilíbrio - supondo que este não exista na Venezuela, o que não concordo, já que o próprio Chávez criou redes de comunicação estatais, "bolivarianas" -, é direcionamento governamental da informação, é interferência na liberdade de expressão.

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    Se o Congresso lhe é totalmente favorável, porque Chávez quer a Lei Habilitante? Para evitar a discussão de suas medidas em plenário, passo a passo, com cobertura da mídia (de uma RCTV, talvez)?

    O intuito da lei, para mim, está perfeitamente claro. Como dizia o velho Leonel Brizola - sujeito politicamente muito próximo a Chávez - "se algo vem em sua direção, e tem rabo de jacaré, pele de jacaré, dente de jacaré, forma de jacaré, cheiro de jacaré, pata de jacaré, cara de jacaré, olho de jacaré, som de jacaré, boca de jacaré....vc agiria como se não fosse jacaré?"

    Em relação ao governo de Hitler: nunca foi implementada legalmente uma ditadura. Não precisamos que Chávez avise, "olha, estamos numa ditadura", para sabermos que ele está, gradualmente, fechando o sistema político local. Os militares brasileiros envolvidos no regime pós 1964 até hoje dizem que não havia ditadura: afinal, o Congresso estava aberto! Havia eleições (indiretas), havia apoio popular! Trata-se de um argumento furado e perigoso. Eleições também existiam na URSS....

    E não estou avaliando as possíveis futuras ações de Chávez, e sim seus atos passados e presentes. Não é a mudança que pode ou não advir nos próximos 18 meses (e naõ anos como vc postou) - período no qual vigora a lei habilitante, por enquanto - que faz da Venezuela atual um regime autoritário. É o fato de que qualquer mudança, mesmo institucional, depende da vontade de um único sujeito, que não precisa para implementá-la, dar satisfações a ninguém.

    Se a Venezuela não fosse, no mínimo, mais democrática ontem do que hoje, o próprio Chávez não teria chegado ao poder por via eleitoral, em um revezamento de poder que hoje ele parece querer negar aos seus adversários políticos.

    E, realmente, não sei em que a votação da reeleição pelo governo de esquerda de FHC tem a ver com o nosso debate sobre Chávez. Isto é um outro papo, talvez para outro tópico - além do que, eu lembro muito bem que muita gente falou contra os instrumentos utilizados pelo príncipe da social democracia brasileira para aprovar a possibilidade de sua reeleição.


    Abraços

    By Blogger O Eu, at 4:23 PM  

  • Olá


    André


    A lei que torna crime "falar mal do presidente" consta do novo Código Penal, aprovado pelos "revolucionários" há dois anos. Trata-se, nada mais nada menos, do que criminalização da opinião, mais grave ainda quando ninguém é capaz de dizer exatamente no que consiste "falar mal do presidente". Posso chamá-lo de feio? De demagogo? De ditador?....

    Em países valorizadores da liberdade de expressão, como por exemplo os USA, qualquer um pode chamar o presidente, atualmente o Bush, de nazista, fundamentalista, mentiroso, e outros adjetivos menos nobres. Se um cidadão fizer o mesmo na Venezuela com Chávez poderei ser preso por até oito anos.

    http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe.asp?ID_RESENHA=117754&Imprime=on


    Em outro comentário eu havia dito que a Venezuela era um dos países nos quais mais se matava jornalistas no mundo. Bom, eu estava deixando de fora, naturalmente, países conflagrados militarmente, ou por insurgência, ou guerra civil, ou guerra interestatal. Nestes podemos entender ataques a jornalistas ou morte dos mesmos, ja´que por dever de profissão eles estão na linha de fogo. E na Venezuela, que se encontra em tempos de paz? Como explicar? Lembrando que Chávez criou vários "círculos bolivarianos", grupos armados de partidários politicos. Pra que? Contra quem?

    http://www.rsf.org/article.php3?id_article=10240

    http://www.unhcr.org/home/RSDCOI/42c144534.html

    http://infovenezuela.org/cap4_en_3.htm

    http://www.newssafety.com/stories/ifj/ifj33.htm


    Os movimentos autoritários que foram minando o poder da República de Weimar, se utilizaram, para isto, de um artigo da constituição, o 48, que dava ao presidente poderes excepcionais em casos de "perigo para a República". O principal deles era a possibilidade de governar por decreto.

    Hitler tambem tentou ascender ao poder por meio de um golpe, mas foi detido e preso. Chegou à conclusão de que deveria se utilizar de mecanismos democráticos para ser chanceler. O partido nazista foi se tornando, por meio de eleições, o maior do Parlamento alemão.

    Uma das primeiras medidas de Hitler foi convocar uma nova eleição, pela qual obteve maioria parlamentar: a retórica utilizada para a vitória se baseava no anticomunismo, antiliberalismo e antisemitismo.

    A vitória permitiu a possibilidade de mudança na constituição, com a aprovação pelo Congresso de uma Lei de Exceção a Hitler, que lhe dava plenos poderes legislativos e executivos por quatro anos. Depois disto o Reichstag foi dissolvido. Em novembro realizou-se uma nova eleição, e no novo Parlamento não havia mais oposição séria aos nazitas.

    Quatro anos depois, em 1941, esta mesma lei de exceção foi prologanda por um novo período, também de quatro anos.

    Uma ditadura formal nunca foi proclamada. Nem precisou. Hitler se utilizou bem dos mecanismos legais existentes para, com amplo apoio popular, fechar o sistema político alemão.

    Chávez não é Hitler, é claro. Há inúmeras diferenças entre eles. Mas não esta.

    Outro ponto a ressaltar: recentemente, em uma entrevista, uma jornalista provocou Chávez, lembrando que Simon Bolívar era liberal e contra a reeleição indefinida.

    Chávez ficou nervoso, e respondeu para ela ir estudar a vida de Bolívar que defenderia a existência de uma presidência vitalícia.

    É o jacaré do qual falei no último comentário.



    Abraços

    By Blogger O Eu, at 4:57 PM  

  • Ressalvas:

    A lei que proíbe falar mal do presidente, prevê pena de até dois anos e meio de prisão.

    E onde se lê, "adjetivos menos nobres, leia-se adjetivos ainda menos nobre"


    Abrações

    By Blogger O Eu, at 5:18 PM  

  • André, não percebi realmente se este post é continuação de alguma coisa. Nem é realmente relevante, uma vez que meus comentários foram apenas ao conteudo detse post. Não vou também me alongar em dizer porque considero João Mellão um canalha, assim como considero, por exemplo, Miriam Leitão e Mainardi dois canalhas. Não é o tema. Não estava argumentando, quando escrevi que o João Mellão era um canalha, estava apenas exteriorizando uma opinião pessoal sobre ele.
    Quanto à revolução venezuelana digo:
    - Chavez foi vítima de um golpe de estado (incomodamente semelhante com o ocorrido no Brasil em 64, inclusive método, articulações de força e discurso).
    - Após o golpe ser frustrado Chavez teve poderes legais de defesa das instituições, para exonerar militares golpitas e outras formas de punição.
    - Apesar deste golpe ter sido amplamente elaborado pelas empresas midiáticas e os golpistas terem ido nas TVs comemorarem a "vitória" e agradecer o apoio dos canais de televisão, Chavez volta ao poder e estes canais continuam operando- mesmo a radiodifusão serem concessão pública e terem regras que devem ser respeitadas (e participar de conspirações contra as instituições certamente não cabe nestas regras). Chavez tinha o poder de cabar com estes canais, e não o fez.
    - Chavez só consegue aprovar estas medidas por que o parlamento eleito de forma democrática o apóia. Se a oposição venezuelana não tivesse se recusado de participar das eleições para o parlamento. Abandonaram o jogo democrático, desistiram de fazer oposição institucional e só querem saber do golpe.
    - A quase totalidade da midia venezuelana é de oposição ao governo.

    Na Venezuela existem eleições livres e imprensa (quase toda) de oposição (ou seja, há liberdade e imprensa e de expressão). De fato, o conceito de ditadura que tenho não se aplica. Se você quiser continuar a defender que a Venezuela é uma ditadura, eu peço que conceitue, EM TERMOS CONCRETOS, o que é ditadura e o que é democracia. Em um debate que se pretende sério esta é a primeira coisa a se fazer: definir os conceitos. Quem sabe o que você chama de ditadura não é o que eu chama de democracia?
    Mas peço que os conceitos sejam em termos concretos, objetivos. Assim todos entenderemos da mesma forma os conceitos. Se você conhece ciência, você já sabe que tem que ser assim.
    Não quero rebater os "argumentos" do João Mellão pois, ao menos nos trechos selecionados, eles não existem. O que é "democracia justa"? O que é "meio justo"? Eu tenho que me preocupar com as profecias apocalípticas sobre chavistas no paraguai????? Isto é ridículo, ou meu senso de humor é realmente muito estranho? Antes do golpe contra o Chavez, a oposição promoveu uma ação de insanidade contra o Chavez. Iam para TV, cheios de riso, dizer que o Chavez tinha fixação sexual freudiana pelo Fidel. É muito bom que esta forma tããão democrática de fazer política tenha sido derrotada.
    Não sei de onde você tirou que eu poderia estar pensando em você quanado mencionei os "paga-paus da burguesia".Na boa: eu não penso em você. Mas se carapuça serviu, faça bom uso dela.

    By Blogger Elton, at 1:19 AM  

  • O livro tem seu foco na invasão do Afeganistão, a qual a mídia internacional não foi contra.

    Não falei na interpretação dos fatos mas destes em si. Um fato pode não chegar ou ser deturpado, impedindo qualquer interpretação.

    Fatos podem ser manipulados na origem, que continua concentrada nas mãos de poucos independente da quantidade de pequenos veículos.

    A maioria da população brasileira assistiu ao debate editado no JN ao invés da versão integral. E esta edição foi criticada com a mesma amplitude? Não. Nenhum outro veículo chegava a tantos como a Globo na época.

    A BBC é inimiga poítica dos Marinho? Sinto muito caro "eu", mas o documentário traz fatos que demontram falta de isenção e apoio da rede a seus protetores políticos. Se não o julga isento explique por que, e não simplesmente acuse de serem inimigos políticos.

    Quanto as provas de envolvimento da RCTV no golpe, acesse o blog
    Vi o Mundo. Provavelmente também deve ser possível encontrar os vídeos no You Tube.

    A alternância de poder é possível na Venezuela através das eleições que foram acompanhadas e aprovadas por órgãos internacionais. Também era assim nos países que vc citou?

    Hitler foi um ditador pela maneira como usou a Lei Habilitante. Aguarde seus atos para julga-lo.

    By Blogger gnorante, at 2:06 PM  

  • Este comentário foi removido pelo autor.

    By Blogger Elton, at 5:48 PM  

  • Prezados todos, conforme eu sugeri antes, vou deixar de lado toda essa ampla questão da imprensa americana para ser discutida num post futuro, e agora vou me limitar à questão do Chavez. Aproveito também para pedir desculpas antecipadas para o caso de eu não poder mais postar com tanta freqüência quanto venho fazendo até aqui. Como eu disse pessoalmente ao Pérsio, se for necessário prosseguiremos no debate a passos de tartaruga mesmo. Parece-me que o debate está progredindo; estou aprendendo muito com ele, e, apesar da eventual demora, não desejo interrompê-lo.

    Bruno

    Antes de mais nada, convém desfazer um equívoco que aparece aqui: "Fatos concretos e devidamente comprovados não tenho. Porém foi vc quem levantou a não renovação como falta de transparência do governo Chavez, que utilizou de meios previstos na constituição para tal ato. Podes provar a imparcialidade da RCTV ou benefícios que esta trazia a população venezuelana?"

    Agradeço sua honestidade em dizer, nesse trecho e em outros, que não dispõe de informações sobre o tema. Eu também não afirmei em parte alguma saber o que não sei. Mas deduzir daí que estamos no mesmo barco é um erro, pelo simples fato de que o meu argumento é de ordem geral, independendo de quaisquer conhecimentos sobre as circunstâncias particulares, enquanto o seu não pode ser sustentado sem isso, como parece que você percebeu agora. Visto que não fui claro o suficiente, devo tentar me explicar de novo. Eu sou contra qualquer espécie de repressão à imprensa por meios políticos, em qualquer país e em qualquer governo. As razões pelas quais penso assim foram bem explicadas, penso eu. Logo, se o Chavez resolveu não concede a renovação à RCTV por motivos políticos, eu não preciso ter investigado o assunto, nem acreditar na santidade dessa emissora, nem ter qualquer outra coisa contra o Chavez para concluir que ele está errado. Se o crime da RCTV foi mentir, então pra isso existe o judiciário. Se é simplesmente por ela ser contra a revolução bolivariana (o que não depende de a emissora dizer a verdade ou não), então trata-se de um ato puramente ditatorial por parte do presidente. Em qualquer caso, a suspensão da licença não se justifica. Por isso, ainda que você prove quinze mil fraudes da RCTV, isso não basta para justificar a atitude do Chavez, visto que ele desrespeitou a diferença qualitativa que deve haver entre meios de ação judiciais e políticos. E se com essas provas já seria complicado pra você defender a atitude do Chavez com justiça, sem elas não existe a menor possibilidade disso.

    Pelo menos o seu argumento inicial era que o fechamento da RCTV foi justo em vista das mentiras da mesma contra o governo. Agora você parece ter ido além, alegando que não há problema algum em um partido retirar a concessão, pelo simples fato de que ela foi dada pelo partido adversário. Esse critério, naturalmente, é independente do anterior, isto é, independe de quaisquer verdades ou mentiras que a emissora tenha dito. É uma pura questão de conveniência política, e você parece estar admitindo isso explicitamente. De modo que sua defesa do Chavez parece mais inspirada em afinidade política do que em critérios independentes.

    Cabe esclarecer também que a minha acusação de falta de transparência vinculada à questão da RCTV diz respeito ao significado e aos efeitos do ato, não do próprio ato. É claro que a negação da renovação em si foi transparente e explícita. Eu não apenas não nego isso, mas também tenho defendido que esse ato revela transparentemente a existência de uma ditadura. E se o Chavez assumisse de vez que é ditador, estaria sendo mais transparente ainda.

    Mas é quando tocamos na questão da legalidade que chegamos ao ponto realmente interessante. A comparação com o caso de Hitler mostra que é perfeitamente possível atingir a ditadura por meios inteiramente legais, e parece que nisso estamos de acordo. O que ocorre é que você acha que só podemos chamar alguém de ditador quando não tiver mais jeito de tirá-lo do poder, e que até lá, desde que simpatizemos com o sujeito, devemos correr o risco de transformá-lo em um, dando-lhe pra isso todo o poder que ele pedir e adiando todo julgamento pra depois. É quanto a isso que eu sou contra, incondicionalmente contra. Ninguém pode ter tanto poder assim, e o simples fato de um chefe de Estado estabelecer políticas que insinuam essa intenção já é mais que suficiente pra que eu classifique seu governo como ditatorial. Creio que o Elton tem razão: estava faltando uma definição adequada dos termos. Agora não falta mais. Se legalidade e apoio popular forem critérios de ditadura, Chavez não é ditador, e tampouco Hitler o foi. Mas quando um único homem controla tudo, sem ter de prestar contas a ninguém, e sem que haja meios legais de tirá-lo do poder em nenhuma circunstância, não conheço palavra melhor para defini-lo.

    Por isso, eu não acho que teria sido errado julgar Hitler e Mussolini quando a ascendência deles estava apenas começando, não importando quanta popularidade ou legalidade seus governos pudessem ter. A concentração de poder em si, seja nas mãos de quem for, é algo inegociavelmente errado. Parece-me que resta apenas discutir se Chavez é um bom ou mau ditador ou, de modo mais geral, se é possível a existência de bons ditadores.

    Discordo também quando você diz que a alternância de poder é um dos princípios básicos da democracia. O que é um princípio básico da democracia é a possibilidade de alternância. O povo tem todo o direito de votar num mesmo partido trezentos anos seguidos, se quiser. Esse fato por si só não diz nada contra a democracia, desde que a mudança seja sempre possível.

    E note, finalmente, que minha pergunta final, no item 6 do meu último comentário, não foi respondida.

    .Elton

    Meu caro, antes de voltar ao debate permita-me esclarecer um mal-entendido. Eu não quis dizer, nem disse, que você estava ou poderia estar me chamando de "paga-pau da burguesia". Pelo contrário, eu disse que tive a impressão de que você não tinha lido os comentários do outro post, nos quais acusei Chavez de ser um ditador. Assim, sem saber o que penso sobre o assunto, não havia razão alguma para que você se referisse a mim ou mesmo se lembrasse da minha existência ao comentar neste post. Tudo o que eu pretendia com a minha frase inicial do último comentário era anunciar, de maneira indireta que iria discordar do seu ponto de vista. Mas isso não significa que eu tenha me ofendido, e muito menos que tivesse a intenção de ofender você. Se foi essa a impressão que transmiti, aproveito agora para pedir desculpas. E quanto ao Mellão, se seu objetivo não era argumentar contra ele, mas tão somente xingá-lo, então não só não tenho do que reclamar como também agradeço pelo esclarecimento e parabenizo você por tê-lo xingado tão bem. De agora em diante me ocuparei apenas dos seus argumentos, que é o que eu deveria ter feito desde o começo. E volto a dizer que a preocupação do Mellão também não me parece plausível.

    Parece-me que a definição que você pediu, bem como meus argumentos, já foram dados na minha réplica ao Bruno. Na verdade, eu apenas procurei complementar o que disse o André Luiz, visto que ele escreveu primeiro. A ditadura pode perfeitamente coexistir com uma democracia formal, ser implantada sem golpes e mesmo com apoio popular. E se a Venezuela é um país onde um homem governa sem ter de prestar contas a ninguém, há uma lei proibindo falar mal do presidente e onde o assassinato de jornalistas é significativamente freqüente, não vejo razão para não considerar isso uma ditadura.

    Cabe acrescentar também que Chavez não é um entusiasta da democracia e da legalidade, a menos quando isso lhe convém. Ele próprio tentou dar um golpe em 1992. E, embora agora se diga democrático, ele resolveu comemorar os 15 anos desse acontecimento como se não houvesse nada de ilegal no mesmo. Aparentemente, o que Chavez realmente aprecia é ter o poder nas mãos, não importando muito a maneira de atingi-lo. Se acabou optando pelo voto popular, foi porque esse meio foi mais fácil de atingir esse fim.

    O resto está na minha réplica ao Bruno, ou na do André Luiz.

    Abraços a todos!

    By Blogger André, at 5:31 PM  

  • André, creio que não leu meu último comentário com as provas do que já havia dito no outro post e também foi citado pelo Elton: a manipulação da informação para atacar a democracia no golpe de 2002. Antes tinha ouvido apenas relatos a este respeito, mas dada a credibilidade das fontes tomei-os por verdade.

    Não cabe defender um ataque deste alegando liberdade de imprensa. Foi um golpe contra o estado democrático e contra uma decisão do povo Venezuelano. Concordo plenamente com o que disse Hugo Chavez:

    "Vocês tinham de ver o que aconteceria nos Estados Unidos se os canais de televisão deste país tivessem se unido contra o governo e apoiassem uma invasão ou um golpe de Estado como fizeram aqui"

    Continuo com minha opinião de que uma revogação pode ter motivos arbitrários já que as concessões também são arbitrárias. Não é o caso da RCTV, no qual a revogação está suficientemente embasada.

    O Eu, a notícia da lei que proíbe falar mal do Chavez mostra o tipo de desinformação que a imprensa tenta produzir. Tal artigo já contava no código penal de 2000, sendo que na referida alteração de 2005 apenas foram suprimidos do texto outros sujeitos aos quais a lei se aplicava. Podes verificar isto neste demonstrativo das alterações. Mas o de 2000 também foi criado pelo governo Chavez. Sim, mas o de 1926 alterado em 1964 também contém os mesmos artigos com os mesmos números 148 e 149. Este pode ser visualizado aqui.

    Claro que a jornalista do Globo não conhecia a fundo o Código Penal Venezuelano, mas eu que também desconhecia e não sou jornalista fui capaz de encontrar a legislação e atestar a falsidade da notícia.

    Voltando à Lei Habilitante, a página de Hugo Chávez no Wikipédia cita que Roosevelt recebeu do congresso em 1933 poderes para governar por decreto na área econômica. Época da grande depressão, Roosevelt utilizou destes poderes para implantar o New Deal. Apesar de na época ter sido acusado de comunista por alguns, seu governo foi bem sucedido. Por que comparar Chavez a Hitler e não a Roosevelt?

    Situações caóticas demandam medidas rápidas e enérgicas. Podem discordar, mas julgo que quase toda América Latina enfrenta uma situação de caos social. Grandes desigualdades que os modelos utilizados até então provaram-se incapazes de corrigir.

    Chavez com certeza mudará muitas coisas no país com a Lei Habilitante, mas não acredito que irá acabar com as instituições democráticas.

    Mas quando um único homem controla tudo, sem ter de prestar contas a ninguém, e sem que haja meios legais de tirá-lo do poder em nenhuma circunstância, não conheço palavra melhor para defini-lo.

    Chavez não controla tudo e volto a dizer, espero que pela última vez, ainda existem eleições na Venezuela e estas foram atestadas por instituições internacionais. Portanto há meios de tirá-lo do poder.

    By Blogger gnorante, at 5:03 PM  

  • Olá


    para gnorante

    Me desculpe a demora em respondê-lo, caro. Tive de me afastar de algumas atividades da internet por questões pessoais.


    1) O site que vc apontou não prova nada, a não ser que manifestantes pró Chavez estavam atirando de cima de uma ponte. Não imagino o porque eles estariam fazendo isto, mas deve ser esclarecido.

    Se a divulgação desta notícia é demonstração ou não do que o jornalista da emissora disse ser, ou se este jornalista apenas expressou uma opinião partidária, é algo que deveria ser averiguado pela Justiça Venezuelana. E é neste ponto em que você simplesmente contorna o argumento que apresentei. Não basta Chávez e seus aliados pensarem que a emissora atentou contra a democracia. É necessário seguir aquilo que chamamos de "ritos democráticos", "ritos institucionais".

    Por outro lado, é necessário também demonstrar na Justiça que tão somente isto é suficiente para cassar a concessão da RCTV, em vez de simplesmente responsabilizar os jornalistas diretamente envolvidos no caso - se é que o que eles fizeram foi um crime. Tudo o que não se deve fazer, neste caso, é tomar um decisão executiva baseada em impressões. O nome disto é autoritarismo.


    2) A notícia da jornalista do GLOBO quanto à aprovação de Chávez de um artigo que pune com a prisão quem falar mal do presidente nada tem de falsa. Vc mesmo afirmou que ela é verdadeira. O seu argumento apenas acrescentou que este artigo já existia no código penal de 1926, não por acaso estabelecido durante a ditadura de Juan Vicente Gomez. Ou seja, Chávez manteve, e pelo que li de seu link ampliou a abrangência, de um artigo confeccionado por uma ditadura. Isto diz muito a respeito de seus propósitos, e me surpreende que vc tenha feito uma leitura inversa deste fato.


    3) A invasão do Afeganistão não poderia mesmo ser repudiada pela comunidade internacional, já que era a óbvia resposta de uma nação agredida a um movimento fundamentalista que havia jurado destruí-la, tomando medidas concretas neste sentido.


    4) A edição do debate em 1989 foi criticada por todos os veículos da época. E ainda aqui o argumento principal é contornado. Lula deveria buscar ressarcimento na Justiça e deixar que a perda de credibilidade do veículo fizesse o resto.


    5) A BBC não é diretamente inimiga dos Marinho, embora seja uma emissora com linha editorial socialista. Mas não foi ela exatamente quem produziu o documentário e sim o Channel four.

    O responsável direto pela obra em questão é Simon Hartog, este sim um socialista de carteirinha.

    Mas ainda aqui você contorna o argumento, caro gnorante. O apoio dado pela Globo ao regime militar é mais do que conhecido, assim como também sua importância na cultura e radiodifusão brasileira.

    O que se está debatendo é o porque você acha que o Estado tem direito de retirar a concessão de uma rede de TV baseado apenas no que seu presidente acha ou não correto. E porque vc acha que a rede em questão deve dar apoio partidário a um lado e está impossibilitada de dar a outro.


    5) Hitler não foi um ditador pelo uso que fez da lei habilitante, e sim pela própria existência da mesma. O que define uma ditadura não são os atos de seu presidente, mas a concentração de poder nas mãos do mesmo.


    6) Não sei se a alternância de poder é possível na Venezuela, caro gnorante. A partir da lei habilitante isto está hoje exclusivamente sob a vontade soberana de Hugo Chávez.



    Abraços

    By Blogger O Eu, at 11:16 PM  

  • Adendo


    Olá


    Roosevelt não governou por decreto na área econômica. Suas propostas sempre estiveram sob escrutínio do Congresso, no qual ele tinha uma sólida maioria. Seus maiores problemas foram com a Suprema Corte, um conflito resolvido legalmente.

    É por estas e por outros que devemos comparar Chávez com Hitler, e não com Roosevelt, embora eu nao tenha grandes simpatias pela política deste.

    Seu argumento de que a América Latina vivencia um caos não me convence. O maior caos que o continente pode vivenciar é a falência dos sistemas democráticos tão arduamente conquistados nas últimas décadas. E a força política que vem atentando contra os mesmos em todo o lugar tem epicentro, hoje, em Caracas.


    Abraços

    By Blogger O Eu, at 12:01 AM  

  • Caro Bruno, peço desculpas pela demora. Não houve nenhum motivo mais pessoal para meu afastamento temporário. Apenas tenho tido muito poucas ocasiões de comentar no trabalho, e ultimamente assumi mais leituras e debates do que tenho sido capaz de manter.

    Na verdade eu havia, sim, lido seu comentário anterior, inclusive sobre as provas das mentiras da RCTV quanto ao tiroteio. O fato é que eu às vezes também tenho a impressão de que você não lê o que escrevo. Eu afirmei mais de uma vez, por exemplo, que não estou defendendo a santidade da RCTV, que nada sei a respeito, que meu argumento independe disso e que uma das coisas que tornam Chavez um ditador é o fato de ele usurpar as atribuições do judiciário. Ignorando tudo isso, você propõe que uma acusação de participação no golpe fracassado de 2002, mesmo sem terem sido confirmadas por um julgamento na Justiça, é motivo suficiente para que um presidente decrete o fechamento de uma emissora (na verdade, você afirmou que não é necessário motivo algum, mas vou deixar isso de lado por enquanto). Dessa forma, você tomou como concedido justamente aquilo que estava em discussão.

    Mas já que estamos nisso, devo dizer que eu já conhecia as fotos do site que você indicou, as quais foram, na verdade, extraídas do documentário "A revolução não será televisionada". Três ou quatro anos atrás, quando assisti aquilo, fiquei muito impressionado. Hoje já acho que é facílimo pra um cineasta produzir evidências daquele tipo. O que não faltam, aliás, são acusações de que os produtores do filme fizeram justamente isso. Até foi produzido um outro documentário, chamado "X-rays of a lie", só pra mostrar isso. Esse eu não assisti, e portanto não vou tomar partido a respeito. Menciono o fato só pra mostrar que a coisa não é tão simples que possa ser resolvida com duas fotos. E se há duas versões conflitantes sobre o assunto, qual seria a coisa mais correta a fazer? Abrir um processo na Justiça e apurar as evidências de cada lado ou deixar o Chavez exercer sua ditadura e simplesmente escolher a versão que mais lhe convém?

    Quanto à comparação de Chavez sobre a imprensa americana, parece que ele não está muito por dentro do que ocorre por lá, ou não quer que seus ouvintes estejam. Vou deixar pra comentar isso no meu há muito prometido post sobre a imprensa americana. Mas não deixa de ser irônico ver um ex-golpista-fracassado esbravejando contra pessoas que, na pior das hipóteses, são tão ruins quanto ele nesse ponto.

    Você tem, é claro, o direito de conservar sua opinião sobre a arbitrariedade dos critérios de revogação da concessão. Mas, desde que desta vez eles não vieram acompanhados pelos devidos argumentos, não há nada que eu tenha a dizer sobre a sua opinião. E sobre os artigos 148 e 149 e Roosevelt não tenho nada a acrescentar ao que o André Luiz disse.

    Esse discurso sobre o caos social e etc. é o mesmo de todos os ditadores e aspirantes a ditadores do mundo. Foi a respeito disso que eu perguntei lá atrás, no item 6 do meu primeiro comentário a este post, e estou até agora esperando a resposta. O que me parece é que o mundo já caiu nessa dezenas de vezes, e não sei de nenhum caso em que a situação do povo tenha melhorado. Toda essa conversa só serve pra justificar a sede de poder absoluto de certos indivíduos.

    Agora algumas considerações sobre suas palavras finais:

    "Chavez com certeza mudará muitas coisas no país com a Lei Habilitante, mas não acredito que irá acabar com as instituições democráticas."

    O que você acredita (ou eu, ou qualquer um) é irrelevante, caro Bruno. Agora só o que importa é o que o Chavez pretende. A manutenção ou não das instituições democráticas depende da vontade de um só homem. Isso não é democracia nem aqui nem na China (que, aliás, não é democrática mesmo). E é justamente esse o problema.

    "Chavez não controla tudo e volto a dizer, espero que pela última vez, ainda existem eleições na Venezuela e estas foram atestadas por instituições internacionais. Portanto há meios de tirá-lo do poder."

    Talvez sim, mas só daqui a dezoito meses, quando (e se) o Chavez resolver parar de brincar de ditador. O mesmo se aplica quanto às futuras eleições na Venezuela. Aliás, embora você não pareça ter ouvido falar nisso, o que não faltam são histórias mal explicadas sobre fraudes nas eleições e plebiscitos anteriores que beneficiaram o Chavez. De qualquer forma, ninguém levantou esse ponto aqui. Eu e o André Luiz afirmamos explicitamente que ditaduras podem perfeitamente ser instauradas com apoio popular legítimo. Assim, sua alegação não tem relevância alguma para o debate, e por isso também espero que ela não volte a aparecer por aqui.

    By Blogger André, at 3:17 PM  

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